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Yudi II
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
O vento tem arrancado constatemente as folhas do livro que eu deixei aberto. Rasgou a estória no meio e a levou para onde não tem chão... por isso não posso correr para a costura de seus pedaços...
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Ângela Calou
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domingo, 15 de novembro de 2009
Nunca sei a medida exata das coisas. Por isso tanto silêncio, um dado que não se entrevê, fora dos limites da percepção e da intelecção, judicalmente imaterializável. Não sei dosar quando ir, quando ficar, quando sustentar o olhar sobre você ou quando escapar de seus olhos com medo, numa velocidade próxima à da luz. Não sei a hora das palavras, ponteiros para mais ou para menos sempre: quando o seu reverbero ao outro que se põe? Quando a clausura original da garganta? Vim sem talentos de medida, não sei medir, e por isso agir e decidir e escolher. Às vezes me assusta ficar sozinha comigo, com esse frio mais subjetivo que da estação, com essas luzes que parecem estrelas em um grau mais pobre, ou gliter sobre papéis coloridos, com essa minimariposa sobre meu braço direito como que a escutar as voltas de meu pensamento secretamente. Tenho preguiça de expulsá-la. Parece quieta, como se concordasse comigo. Será que dorme? E eu que não falo sua língua, nunca saberei de seus segredos pequeninos. Eu mesma digo às vezes em acessos de filosofia-de-botequim, que não há mais segredos, pois há que se ler nos gestos e paradas súbitas, nos Castelos e nas canções, nas bordas da pele e nos pequenos instantes de Verdade caídos dos corpos, muito, muito raramente. Sonho fácil. Canso fácil. Amo fácil. Riu difícil. Acordo difícil. Leio difícil. Há séculos não termino um livro, talvez Kafka me possibilite mais uma vez tal façanha. Das Schloss, o burocrático, o buRRocrático. O que sei é que é sempre assim, melhor mesmo não se arriscar, melhor mesmo não se atrever, melhor que não se tente o salto, pois na analítica desse esporte radical, não vejo outro que não a queda como implicação imediata – violenta, aterradora, como tomar água de coco à sombra de um pé de desvario. E talvez sobre esse Hegel das segundas e quartas-feiras, eu tenha apenas que concordar que todo fim está no começo, como as desórbitas do avesso.
(As desórbitas do avesso - Antonio Augusto Bueno)
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Ângela Calou
às
18:45
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