Terceira impressão: O Louco

domingo, 16 de maio de 2010

Emma Bovary sabia que devia morrer. Morrer para salvar a si, pensou. Que bobos eram todos, todos aqueles que confundidos com o grande amor. A grade armou. Emma nem queria Berta - que inconveniência era a tal pequenina, mas quem disse que era direito seu escolher sobre não ser mãe? Emma não podia nada, nada além de apostar as fichas carcomidas da doença da crença que lhe deram em hora de seu nascimento! Além disso que podia Emma? Sequer ir a fundo na própria demência! Então ria e dizia de si para si: é o caso morrer. Emma não cabia mais no mundo. Emma era uma chatisse de três turnos repetida na madrugada. Que significa o estômago retorcido de Madame Bovary? O perdão das mulheres, esvaziadas para sempre da própria burrice?


la femme a faim

6 comentários:

ma grande folle de soeur disse...

interessante a sua (re)visitação a Emma Bovary... tb eu hoje me lembrei en passant da mesma mulher ... gosto muito da sua frase (la femme a faim) :)abraço

Ângela Calou disse...

Emma Bovary histérica, louca, desavisada...e sim, com todos os motivos para tanto. É um personagem que assim também en passant hora ou outra sempre me toma minutos de consideração. Obrigada pela visita e um abraço Srta. =]

Rafael sem h disse...

Gosto desse release da obra (por Giselle Marques):

"Se não fosse um romance realista do século XIX ambientado em pequeninas, monótonas e rurais localidades do interior da França, Madame Bovary poderia ser uma história atual de uma mulher quase normal, com transtorno bipolar ou uma tensão pré-menstrual presente todos os dias, com direito a altos e baixos constantes. Se Emma Bovary fosse personagem do século XXI, com certeza estaria fazendo terapia e tomando drogas fortíssimas para controlar o humor. Emma é uma mulher que nunca sabe o que quer. Que quer tudo e que não valoriza quase nada do que tem."

Seria Emma uma ótima companhia pro Sr. de Sade, o Marquês? Parceria interessante, eu penso...Poderia trazer a cura, sim, quem sabe... Ou fortalecer a loucura a tal ponto,que transcenderia à morte.

Mas qualquer que for o caso (e os casos dentro do caso q n seríam poucos rsrs)...essa convivência, parceria, e de certa forma, concorrência entre esses personagens seria muito interessante..rsrs

Andrew Finnie disse...

Lovely work. I don't know how I got here but I'm glad I did.

Pardon the english!

Ângela Calou disse...

Ah sim Rafa, rs...quanto de interesse um tal encontro suscitaria... tu bem que poderias adiantá-lo assim em letras né? Gostei daquela prévia =]

Quanto à Giselle, interessante a posição. Penso às vezes que muito certa esteve Emma ao não valorizar tudo o que tinha...pois que tinha Emma? O que além de uma ilusão gestada que não cabia às exigências da realidade? Que podia fazer Emma? Absolutamente nada...como brinca a Tiburi "nem um projeto de pesquisa ela podia fazer!! rsrs"...ah que nessas condições parece muito acertada a decisão de morrer...rs Depois de três experiências nefastas muito distantes do dever-ser prometido pela construção do gênero, ela, com sua vida de cartas previamente dadas por esta mesma construção, diz "não quero isso". Madame Bovary é o nosso perdão.

bj

Ângela Calou disse...

Welcome, Andrew! Thanks for the comment. Your blog is very expressive. I like so much this pic... it screams through the silence.