Âmbar

sexta-feira, 25 de junho de 2010















Quando, porém, pensares
a memória de nosso afeto,
lembra que deixei em tua boca
o meu segredo mais inconfesso.

Quando, porém, sonhares
as voltas de meu corpo sobre o teu,
sabe que nesse instante ainda vivo
à sombra desse sonho que se perdeu.

Quando, porém, eu já não for
sequer esta remota lembrança,
este vagar sonolento, adormecido...

Conclui: em meu corpo, arrefecido,
a imagem reiterada da paixão petrificada.
Olhos vítreos desfeitos, mefistofélicos e contrafeitos.


[Para meu querido amigo mefistofeito, um menino crescido e singular: não o conteúdo, mas o poema... o afeto, e a imensa admiração...]

8 comentários:

Denise Scaramai disse...

Ângela,
que poema lindo e surpreedente!
cheio de ternura, afeto e gratidão.
bisous cherie

Anônimo disse...

o título re-solve o poema, põe, fora do poema, o poema adentro.

muito bonito.

p.

Ângela Calou disse...

Obrigada, Denise. Sim, são essas as palavras... tudo nessa mesma medida e ordem, à luz do luto da deposição. Da des-posição do outro, dos espaços comuns, agora ex-passos comuns...tal qual deve ser.

Bisous, ma cherie

Ângela Calou disse...

Preciso, na agudeza dos olhos que lhe é cabida...

Abraços.

Renato Feitosa disse...

Sabe deuses o que tu esconde em teus títulos...

Ângela Calou disse...

Os deuses eu naum sei, mas que tu sabe, ah como tu sabe!!

rs

segredo nosso Natuvski! =P

Isabel disse...

Adorei isso.. vou roubar pra mim, posso?

Ângela Calou disse...

=]